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Progressiva Sem Formol Tem Glioxílico? O Guia Definitivo (Livre × Derivados × Permitidos)

Tiago Fernandes

Tiago Fernandes

Pesquisador Independente & Especialista em UX

Atualizado em: 2026-07-20

Progressiva Sem Formol Tem Glioxílico? O Guia Definitivo

Sim, a maioria das progressivas vendidas como "sem formol", "orgânicas" ou "botânicas" usa ácido glioxílico ou seus derivados para alisar. Mas "tem glioxílico" não é uma resposta de sim ou não — existem três situações regulatórias completamente diferentes, e confundir uma com a outra é o que faz tanta gente comprar errado. Este é o guia que separa as três, marca a marca, para você decidir com informação em vez de medo.

Quando o formol foi banido como alisante, a indústria correu atrás de um substituto barato que entregasse liso rápido. O vencedor foi o glioxílico. Só que a história não terminou aí — a Anvisa vem regulando o assunto desde então, e o rótulo "sem formol" virou, muitas vezes, uma cortina de fumaça.

As três camadas (a distinção que resolve tudo)

Guarde esta divisão — ela é a espinha dorsal de qualquer decisão sobre progressiva sem formol:

  1. Ácido glioxílico livre — NÃO autorizado. É a forma pura (Glyoxylic Acid no INCI). A Anvisa não a reconhece como ativo de alisamento (IN nº 22/2023). Produto que traz glioxílico livre e se vende como alisante está fora da regra.
  2. Derivados de glioxílico — em reavaliação. São moléculas modificadas (Glyoxyloyl Carbocysteine, Glyoxyloyl Keratin Amino Acids, entre outras). Elas aparecem em produtos com registro vigente e estão sob reavaliação de segurança pela Anvisa (RDC nº 906/2024). Ou seja: existem hoje produtos com derivados legalmente registrados.
  3. Outros ativos permitidos. Nem toda progressiva sem formol usa glioxílico. Há ativos na lista positiva (IN nº 220/2023): tioglicólico e sais/ésteres, hidróxidos, sulfitos/bissulfitos, pirogalol e ácido tiolático.

A frase que nunca erra: "o ácido glioxílico livre não é ativo autorizado; derivados em produtos registrados estão em reavaliação; verifique o registro do produto específico."

Regulamentação Oficial — ANVISA

O Informe de Segurança GGMON nº 03/2025 (07/07/2025) alerta que o ácido glioxílico causa danos severos quando aquecido pela prancha e é especialmente perigoso combinado com descoloração. No plano internacional, a agência francesa ANSES recomendou, em 2025, limitar ou proibir alisamentos com ácido glioxílico. E vale a regra estrutural: alisante é cosmético Grau 2 e exige registro — "sem formol" não substitui isso. (verificado em 20/07/2026)

Como identificar no rótulo

As marcas raramente escrevem "ácido glioxílico" na frente do frasco — preferem nomes comerciais patenteados. Vire a embalagem e leia a lista de ingredientes (INCI). Procure por:

  • Forma livre: Glyoxylic Acid
  • Derivados: Glyoxyloyl Carbocysteine, Glyoxyloyl Keratin Amino Acids, Glyoxyloyl Hydrolyzed Wheat Protein/Sericin, Cysteamine HCL, Cysteine HCL

Se nada disso aparece, o produto pode usar outro ativo (permitido ou não) — o que nos leva à tabela abaixo.

Onde cada marca se encaixa (o mapa do nicho)

Esta é a leitura marca a marca com base na composição declarada e no que se sabe do registro. É um retrato datado: o mercado está sob fiscalização ativa (houve resoluções em 2025 e 2026), então o status de cada produto deve ser reconfirmado no painel oficial antes de comprar.

ProdutoO que a composição indicaCamadaSituação
Japinha OrgânicaGlyoxylic Acid (livre)🔴 Glioxílico livreNão autorizado — vira alerta
Mutari ProgressDerivados (glyoxyloyl carbocysteine/keratin)🟡 DerivadosRegistrada, em reavaliação — entenda
Borabella Não Chore MaisPirogalol (permitido)🟢 Ativo permitidoConfirmar registro no painel — resenha
Fashion GoldContraditório (ácidos × glioxílico?)⚠️ A confirmarSem registro localizado — investigação
Prohall Select OneGrau 1 vendido como alisante🔴 RegistroRecolhida (RE 579/2025) — caso
Forever Liss (Semi Definitiva)Queratina hidrolisada, pH ácido; publica nº de processo🟢/🟡Transparente — confirmar grau
Let Me BePublica nº de processo; sem derivados no BTX🟡Confirmar grau no painel

Legenda: 🟢 aparentemente regular · 🟡 zona cinzenta / verificação obrigatória · 🔴 problema identificado. Status apurado em 18/07/2026 — {/* [CONFIRMAR cada produto no painel] */}.

Por que o glioxílico aquecido preocupa

O ponto que o marketing esconde: o problema do glioxílico não é só o frasco, é o calor. Sob a prancha em alta temperatura, o ácido glioxílico se degrada e pode liberar formaldeído no ar — você foge do formol no rótulo e respira a fumaça dele na aplicação. É por isso que o Informe da Anvisa insiste em reduzir o calor e por que instruções que pedem prancha a 230°C são um alerta. Além disso, alertas médicos e regulatórios internacionais associam o glioxílico a danos sistêmicos, motivando a recomendação da ANSES na Europa.

"Sem formol" não significa regularizada

Esta é a tese que atravessa o site inteiro. Das progressivas mais buscadas, praticamente nenhuma usa formol — o risco migrou para (a) glioxílico livre, (b) derivados em reavaliação e (c) produtos vendidos como alisante sem o registro Grau 2 exigido. A pergunta certa deixou de ser "tem formol?" e passou a ser "qual é o ativo e qual é o grau do registro?".

E essa pergunta só tem uma resposta confiável: a consulta oficial. Antes de comprar qualquer progressiva, aprenda a verificar o registro na Anvisa passo a passo — é o gesto que transforma você de leitora assustada em consumidora no controle. Para escolher entre as opções regulares, comece pelo guia da melhor progressiva sem formol.

Fontes

Perguntas Frequentes

Toda progressiva sem formol tem ácido glioxílico?
Não todas, mas a maioria usa glioxílico ou seus derivados para alisar. Existem também progressivas com ativos diferentes e permitidos (como pirogalol ou sulfitos). O que muda tudo é qual forma está na fórmula: glioxílico livre (não autorizado), derivados (em reavaliação, em produtos registrados) ou outros ativos permitidos.
Ácido glioxílico é proibido pela Anvisa?
O ácido glioxílico livre não é autorizado como ativo de alisamento (IN nº 22/2023) e a Anvisa alerta que ele causa danos severos quando aquecido. Já os derivados de glioxílico presentes em produtos com registro vigente estão sob reavaliação de segurança (RDC nº 906/2024) — não é correto dizer que 'todo produto com glioxílico é ilegal'.
Qual a diferença entre glioxílico livre e derivados de glioxílico?
O glioxílico livre (Glyoxylic Acid no INCI) é a forma que a Anvisa não autoriza. Os derivados (como Glyoxyloyl Carbocysteine ou Glyoxyloyl Keratin Amino Acids) são moléculas modificadas que aparecem em produtos registrados e estão sob reavaliação de segurança. A regra prática: identifique o nome no INCI e verifique o registro do produto específico.
Como identificar glioxílico no rótulo?
Procure na lista de ingredientes (INCI) por Glyoxylic Acid (forma livre) e pelos derivados Glyoxyloyl Carbocysteine, Glyoxyloyl Keratin Amino Acids, Glyoxyloyl Hydrolyzed Wheat Protein, entre outros. As marcas raramente estampam isso na frente do frasco — está na composição, atrás.
Sem formol significa que é aprovada pela Anvisa?
Não. 'Sem formol' e 'aprovada/registrada' são perguntas diferentes. O risco do nicho migrou do formol para o glioxílico livre e para produtos vendidos como alisante sem o registro Grau 2 exigido. A única forma de saber é consultar o produto específico no painel oficial da Anvisa.
Quais ativos de alisamento a Anvisa permite?
Ácido tioglicólico e seus sais e ésteres, hidróxidos (sódio, potássio, lítio, cálcio/guanidina), sulfitos e bissulfitos inorgânicos, pirogalol e ácido tiolático (IN nº 220/2023), nas concentrações e pH definidos na norma. O glioxílico livre não está nessa lista.